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  • Ana Zacharias

a arte de escutar

Atualizado: 9 de Mar de 2019


Minha profissão me permite acompanhar outros seres humanos na busca dos seus propósitos e também de escutar histórias e aprender delas.


Um mestre um dia falou que “escutar o outro é aceitar que o este mundo não igual ao meu, que o que vê não é o mesmo que eu vejo, que o que ouço não é o mesmo que ouves, enfim que há diferenças entre nós” e achei isso fantástico porque cada vez que escuto posso, por fim, entrar neste mundo que me oferece e então se abre inúmeras possibilidades de aprendizado que antes não estavam disponíveis para mim.

A partir disso posso ver o mundo desde outro olhar e aí também consigo nutrir respeito, empatia, carinho e assim vai… Ah aqui vale a distinção que ‘ouvir’ é biológico porque se temos ouvidos em estado de normalidade ouvimos, porém, escutar está mais além. Escutar é possível na conexão e está além dos ouvidos; escutamos com o corpo, escutamos através das emoções, escutamos quando estamos abertos a escutar.


Estacionamos na vida quando paramos de nos escutar, pois essa conexão com o que temos dentro permite escutar o sagrado em nós, o que nos conecta com o universo, com o todo. Isso está além da religião, quando queremos silenciar esse sagrado em nós tendemos a procurar adquirir, possuir coisas e por vezes até pessoas. Quando nos conectamos com a necessidade de possuir começamos a existir só para os outros. Podemos imaginar que precisamos ganhar mais para comprar coisas e assim existir de uma forma onde não SOMOS apenas TEMOS. Tudo é externo e o que nos define está fora da gente. O consumismo para mim é, em essência, a busca de calar nosso ‘ser grande’ aquele que é suficiente, aquele que se satisfaz com este momento, que aprende dele, que confia que se hoje há chuva é para que nasçam e floresçam lindos canteiros. A escassez está conectada com a sensação de solidão que está juntinho com a impossibilidade de acreditar que se pode pedir ajuda. A crença de precisar ser autossuficiente. Precisamos nos conectar com nossa vulnerabilidade, pois assim conseguimos acreditar que se pode contar com o outro. Ao acreditar no enorme poder da interdependência abrimos a possibilidade para os que nos amam exercitem este amor e, ao receber também podemos exercitar o amor em nós.

As relações podem e devem estar sempre permeadas de cuidados, de atenção a escuta daquilo que cada um necessita. Precisamos de tempo para amadurecer, precisamos de escuta para conhecer, precisamos de coragem para exercer a interdependência.

Essa emoção, a coragem, nos mobiliza a fazer mesmo não tendo certeza dos resultados. Então vamos lá, coragem!

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