• Ana Zacharias

Sobre competição e colaboração nos ambientes

Atualizado: há 5 dias



Aprender a dialogar e desenvolver a abertura para escutar outros pontos de vista reduz a necessidade de competição o tempo inteiro nos tornando mais colaborativos o que favorece o pensamento livre, o fortalecimento da confiança, a criatividade e abre novas possibilidades.

Somos definidos a cada ato que realizamos ou pelo conjunto da nossa obra? Vivemos em um momento onde as polaridades estão mais presentes e as conversas normalmente servem mais para reafirmar nossas convicções do que para acolhimento, escuta e aprendizado. Não deveríamos ser definidos por uma única partida nos jogos da vida porque não estar na sua melhor performance não significa que não demos o nosso melhor ou que já não funcionemos mais, mas quando as relações são apenas de uso e descarte, não nos é permitido errar. O que podemos lidar é como agiremos a partir dos momentos de falha e o que revela sobre nós mesmos. Como podemos aprender de nós a partir das ações dos outros aproveitando a oportunidade ´para evoluir e expandir e, eventualmente, mudar aquilo que faz sentido.


Podemos viver em modelos de competição buscando ser cada dia sermos melhores do que fomos ontem ou ficar apenas conectado em superar os outros. Nesse segundo podemos correr o risco de estar no lugar de apontar o pior no outro para que este não pareça um competidor aceitável, mas será que ao eliminarmos o outro apontando suas falhas nos tornamos ‘vencedores’ pelos nossos méritos ou estamos nos permitindo a permanecer do mesmo tamanho?


Apenas um ganha o prêmio final e essa é a mecânica da maioria dos jogos, mas é saudável a forma de encarar o outro como inimigo e não como um adversário a altura? Competir pode nos fazer criar novas possibilidades para nós mesmos, em ambientes onde a competição é saudável podemos aprender muito, nos dedicar a novas oportunidades, ver as forças do outro, admira-las, nos inspirar e até copia-las. Afinal jogadores competentes estudam seus adversários e aprendem com eles.

Mas há ambientes onde a colaboração é tudo que se necessita, afinal cada um tem o seu papel e é um dos maiores desafios na trajetória humana porque nos exige enxergar o outro e que escutemos suas vulnerabilidades aceitando como é e, ainda mais, que podemos aprender juntos. Respeitar a diversidade é lembrar que não existe ‘um manual sobre todas as coisas’, um jeito certo de existir no mundo. E que isso colabora para o crescimento de todos nos conectando pelo que nos UNE e não o que nos SEPARA e silenciando um modelo que nos encoraja a permanecer buscando um único culpado pelo que que acontece de ruim com a fantasia de que, se essa pessoa parar de existir, todas os problemas acabarão.

Em colaboração nos permitimos ser vulneráveis, confiar no outro, porque temos os mesmos objetivos, e não é aquele erro que nos define e sim o conteúdo de acordos e combinados que tivemos até ali. Nos permite chamar a conversar, a dizer que aquilo não foi bom, perguntar o que fez o outro agir daquela forma porque confiamos naquela pessoa e não a definimos naquela ação. Podemos compreender que vamos entregar somente a autoridade que temos em determinado assunto sabendo que não precisamos ser o MELHOR em tudo e sim dar o nosso melhor em todas as coisas, principalmente aos outros. O respeito e a honra são alguns motores neste modelo.


Construir relações e relacionamentos saudáveis onde não somos apenas peças descartáveis pode ser feito a partir da conexão e da colaboração, porque é aí onde mora o extraordinário. No momento do erro aprender de si, do outro e com o processo. Percebendo que podemos trilhar o caminho de SER, de existindo, construindo e aprendendo porque talvez não seja sobre SE queremos jogar e mais a COMO queremos jogar os jogos que a vida propõe.



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