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  • Ana Zacharias

vai ver, vai ver é mudança de estação

Atualizado: 7 de Jan de 2019


Sempre lembro da música, ‘quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos’ porque para mim a entrada da primavera anuncia que tudo nasce outra vez. Que o inverno passou e uma sensação de que agora tudo é possível enche meu peito. As flores e os espirros são parte da minha vida e também a espera pelo clima quente e ensolarado que me permite deixar a janela do coração aberta para as novidades que vem. Este setembro me trouxe muitas mudanças: escolhas e definições. Depois de um inverno de aprendizados veio enfim tomada de decisões.

Eu tenho um interesse particular pelo mundo emocional. E me peguei associando as estações do ano com as emoções.

O outono eu associo a raiva e ao medo. A raiva é a emoção conectada com o julgamento de uma situação injusta e nos convida a tomar uma ação frente aquilo que queremos mudar. Está conectada com fixar limites daquilo que nos traz dignidade. Já o medo é emoção que nos põe em contato com a possibilidade de perda eminente do que é importante. O medo é muito importante para nos preservar de perigos. Quando conecto estas emoções ao outono é porque me parece injusto deixar para traz o sol e toda a sua plenitude, e quando olho as folhas caindo e tenho a sensação que algo está prestes a acontecer. Me conectar com a raiva para me permitir dar limites e ao medo para me preservar é muito importante. O cuidado é que viver num estado de raiva é imaginar que tudo que me acontece é injusto e no medo que tudo pode me ferir.

O inverno relaciono com a tristeza e a ternura e me permito o silencio, o carinho e o aprendizado. A tristeza me conecta com a perda do que é importante e me recolho para escutar o que e quem para mim importa. Nas perdas temos aprendizados profundos e então que novas perspectivas preciso ter para acolher o aprendizado e fazer as mudanças que preciso? Na ternura me permito cuidar de mim e do outro. Me permito a abertura da escuta, a importância de existir junto com o outro e de transmitir confiança de proteger quem amo. Na ternura escuto o bater do meu coração mais tranquilo, com a expressão de que tudo está do jeito que deve estar. Me permitir acessar estas emoções me trazem aprendizados profundos. O cuidado é que ao viver na tristeza estou apenas no passado. No que já aconteceu e pode me paralisar. E viver na ternura permaneço em marcha lenta. São emoções que me conectam com o meu mundo interior, de mergulho para dentro.

A primavera está relacionada a alegria e a gratidão. A alegria nos convida a celebrar, ao encantamento, a produzir saúde, ao riso e ao bem-estar. Na gratidão me dou conta do que recebi ‘de graça’ da vida! Sentir o cheiro das flores, me emocionar com o canto de um pássaro e simplesmente deixar o sol no rosto e o vento nos cabelos. As flores nascem, os animais se agitam, os pássaros cantam felizes com mais um alvorecer da vida.

O verão está relacionado com o erotismo. É a emoção que nos permite nos conectar com a beleza, o mistério o prazer de existir. De nos ver como únicos, brilhantes, nos conecta com o que trazemos de talento ao mundo e com o sagrado que existe em cada ser humano. É uma emoção poderosa, com poder de explosão e de grande mobilização.

As emoções, assim como as estações do ano não são boas ou ruins, elas simplesmente são e, em cada uma, há beleza e é necessária para cada um de nós, seres extraordinários em contato com o mundo.

Quanto mais tomarmos consciência da necessidade de viver nosso mundo emocional e reconhecer como é sentir raiva, medo, tristeza, ternura, alegria, gratidão e erotismo, vamos acolher e conseguir tomar decisões com mais coerência do que é importante para cada um de nós. Sem nos esconder, nos permitindo viver a emoção e deixar passar para que sejamos cada vez mais uma oferta linda para o mundo que vivemos.

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